Ontem a minha filha foi pela primeira vez ao cinema. O momento histórico (mais para mim do que para ela) não correu mal — divertiu-se qb na primeira parte e não lidou mal com a imposição de silêncio. E eu alarguei horizontes conceptuais, porque não fazia ideia de que existiam redutores para cadeiras de cinema (nem do que fazer com eles findo o filme…)
A parte mais difícil foi conter a minha raiva. Para além de pipocas a voar e do nhocnhoc açucarado, para o qual estava mais que preparada com um firme e convicto «Nem Penses!» preso aos lábios, fiquei aterrada com a quantidade de publicidade que antecedeu o filme — uma boa meia hora de tretas, luzes e guinchos com o objectivo obsceno de levar a minha filha a azucrinar-me o juízo, até a capitulação ser o único roteiro para a paz, para aderir à Zon, comprar um Alfa Romeo, encher a despensa de Bongos ou fazer figura de ursa financiada pela TMN.
Isso é o que aprendem quase todos os dias. Inclusivamente com os nossos próprios quotidianos. Os melhores anti-corpos que lhes podemos dar para que não sejam engolidos pela máquina que os condena a um jogo que não podem vencer (o do «Consumo Logo Existo») são precisamente momentos em que a felicidade está ali, à frente deles, não numa montra noutro sítio qualquer. Foi por isso que a levei ao cinema; a um filme classificado para a idade dela: quatro anos. Idade em que cada minuto de concentração é precioso e a imaginação é estranha e poderosa (aceitam-se fadas e gigantes, mas não castelos sem porta nem dragões com cara de gente). Meia hora dessa concentração concentrada gasta em publicidade traduziu-se, obviamente, em meia hora de pinotes e protestos lá para o fim do filme. E provavelmente quando passar no Rossio vai achar que chegou a Madagáscar, sem sentir a falta de metro-leões e pinguins espertalhões. O que é uma pena. E quase me faz querer ter pedido o dinheiro do bilhete de volta. Coisa que a para a próxima faço, juro.

eheh, o pessoal acaba sempre por se juntar ao fim de uns aninhos. as saudades falam mais alto... :)
Posted by: Andre Faria | 28-01-2009 at 22:55
E pelos vistos não é o único. Claro que a hazelnut só podia ser a menina. :) Beijos
Posted by: Cláudia Diogo | 27-01-2009 at 20:45